terça-feira, 13 de setembro de 2011

Eu e a Morte


Não vejo  a morte como um pesadelo,
Tão pouco como um sonho vou vislumbrá-la.
Miro-a como uma porta velha e ruidosa
Que sela a entrada da casa paterna.
Mas não me dedico a contemplar a feiura da porta,
Nem me detenho a fitar as ferrugens de seu ferrolho.
Perco-me a perscrutar que ela esconde um lindo cenário
E diviso entre seus vãos os lampejos da vida eterna.

Cabe aqui um agradecimento pela estalagem e a boa acolhida,
Que me sustenta enquanto prossigo em direção à morada querida.
Pois se dizem que vivo bem do que aqui desfruto,
Ainda mais ansioso aguardo a verdadeira vida!

Sei que há amor nestas paragens, e que há ternura em meu labutar,
Mas em tudo vejo mera amostragem do prazer que terei lá!
Não que eu desdenhe o que é presente,
Suas flores e cores, seus aromas e seus amores.
Todavia, se o pálido sol dos dias nublados, já me anima ao canto,
Ó quão grato cantarei diante do Sol da justiça  e da Paz que quero tanto?

Morte, o aguilhão perdeste, desde que meu Senhor de ti saiu redivivo,
Já não me assusta sua figura imponente, nem ainda o seu hálito opressivo
Porque aquele que te fez impotente é o meu Deus a quem eu sirvo,
E Ele mesmo é quem me garante que mesmo que eu morra,
Eternamente com Ele, estarei VIVO!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O que significa o nome da Igreja Presbiteriana?

O nome “Presbiteriana” vem do termo grego “presbiterós” que significa “ancião, idoso”. Pois esta denominação evangélica é liderada por um conselho de homens experientes, geralmente  (mas, não obrigatoriamente) idosos,  eleitos pelos próprios membros da igreja, que, juntamente com o pastor, zelam pelo bem da comunidade, sempre em submissão à Palavra de Deus (Bíblia). Tais homens são chamados presbíteros regentes, porque regem a Igreja. Todavia, o poder deles é limitado pelos crentes professos, que podem não reelegê-los, ou mesmo, em casos extremos, exonerá-los. Todos os anos a igreja, em data apropriada, ouve os relatórios da receita e dos gastos realizados, para expressar a lisura e a honestidade destes homens de Deus. Também o pastor da igreja é um presbítero, mas não regente e sim docente (professor), funcionando no conselho apenas como um moderador, pois cabe a ele, primeiramente, ensinar a igreja e os demais presbíteros quanto ao modo de obedecerem à Bíblia em seu viver diário. Assim, a Igreja Presbiteriana segue o padrão bíblico de
Tito 1. 5-9
5  Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:
6 alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados.
7  Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância;
8  antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si,
9  apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.

 I Timóteo 5. 17-22
17 Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.
18  Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário.
19  Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas.
20  Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam.
21  Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade.
22  A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro.

 I Pedro 5.1-4
1 Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada:
2  pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;
3  nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.
4  Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.

 e Hebreus 13. 17.      
17  Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.

Por que Somos Presbiterianos?


Somos presbiterianos porque cremos que a doutrina desta igreja é a que, sob a iluminação do Espírito Santo, mais se identifica com o estudo fiel e dedicado da Palavra de Deus. Contudo, isto não quer dizer que só a nossa igreja está salva, ou que já alcançamos a perfeição. De forma alguma! Respeitamos e devemos respeitar e aceitar o batismo das demais igrejas evangélicas que são comprometidas com o evangelho da Graça de Cristo, tanto que não re-batizamos os irmãos vindos destas comunidades. Somos presbiterianos, também, porque honramos e relembramos a história de pastores e crentes do passado que nos entregaram uma Confissão de Fé, uma Constituição, um Código de Disciplinas e Princípios de Liturgia fiéis à Bíblia Sagrada, que, embora não sejam infalíveis como a Bíblia, têm nos dado forte auxílio, pois, cientes dos erros do passado,  nos apontam  as armadilhas que outros já caíram, de maneira que possamos evitá-las. Nós presbiterianos somos apenas uma pequena parte do corpo vivo de Cristo aqui na terra, sabemos que no céu não haverá mais necessidade desta divisão, mas até que deixemos este mundo devemos nos esforçar para aqui servirmos da melhor maneira ao nosso Senhor.

sábado, 3 de setembro de 2011

APENAS UMA CARICATURA

Sou uma caricatura daquilo que eu quero ser
Apenas uma caricatura, uma figura, com alguma semelhança
Não quero com isto, que pensem que perdi a esperança
Dentro em mim há alegria de um lindo ideal
Reconheço que sou aprendiz
O que desejo só verei no final!


Mas, a caricatura tem seu valor
Através dela vemos a beleza mesmo disforme
Revela aqui um pouco do meu amanhã
Conforta ver o que foi alcançado
Indica o que precisa ainda ser reformado
Orienta ao certo no traço exagerado

Devo apreciar o que Deus já fez em mim
E diante da minha imperfeição, saber de Seu amor mesmo assim!


Apenas uma caricatura é o que você vê em mim
Lamento, não sou o homem, marido, amigo ou o pai que gostaria de ser
Mas levo sinceridade, amor e alegria a quem se arrisca a me conhecer
Em tudo o mais ainda disto do ideal que persigo
Impossível é apagar o que Deus já fez em mim
Diariamente vejo a graça de Cristo
Assegurando-me que melhor serei ao Fim!


sábado, 13 de agosto de 2011

Então fica combinado assim...

Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor. Cantares 2.15

"Então fica combinado assim: eu não condeno o seu pecado; e você não repara no meu!"

Vocês já imaginaram semelhante diálogo ocorrendo dentro da igreja? Felizmente, penso que a ousadia dos crentes não chegou a tanto. Porém, na prática, lamento dizer, em muitos casos, é isto o que está acontecendo! Sim, um acordo silencioso, uma cúmplice tolerância, uma silente aceitação do pecado na vida dos cristãos.

Afinal, quem haveria de chamar a atenção aos pequenos desvios de conduta de uma crente admirável, um diácono dedicado, um presbítero honrado ou um pastor muito amado? Quem seria capaz de sincera e humildemente lembrá-los que são imperfeitos como os demais, apontando-lhes suas falhas?

Vejam bem, a primeira preocupação aqui não é de falar sobre os grandes desvios, aqueles que exigem investigação e severa disciplina eclesiástica, mas sim falar daqueles maus comportamentos, que como raposas, como raposinhas, vão sorrateiramente minando, não apenas os vinhedos apaixonados do livro de  Cantares, como também as amizades e as famílias, chegando ao ponto de contaminar igrejas inteiras!

São brincadeiras inocentes que aqui e ali, fazem suas vítimas; pequenos boatos tomados como verdade sem que haja defesa alguma; são "mentirinhas convenientes", além de palavrinhas grosseiras que jamais se contradizem, nem dão mostras de arrependimento, e lágrimas que rolam sem que haja consolo. São divertidas piadas ou esnobe erudição, tomando o lugar da mensagem bíblica transformadora; é a ganância materialista, fazendo-se passar por merecido galardão; é o ativismo social disfarçando o desamor; são palavras de otimismo e auto-promoção ao invés de obediência e auto-negação,  e até mesmo alegres louvores, impropriamente, substituindo o arrependimento e a contrição!

E aí, quando olhamos ao redor, já não entendemos o que foi que mudou; já não sabemos como nos distanciamos tanto do ideal cristão. Alguém apressadamente diria, vou mudar de igreja, aqui já não existe amor! E há os que assim procedem, crentes de que os erros são alheios, entretanto, ao saírem, levam também consigo suas próprias raposinhas.

Mas, alguém pode citar as palavras de Jesus em Lucas 6:37 e  41:
Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados;
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?


Todavia, Jesus não estava condenando toda a forma de julgamento, e sim impondo o princípio de não fazer aos outros o que não queremos que nos façam e antes de acusar a outrem, verificar as próprias atitudes, dando sempre condições de perdão ao arrependido!
  
Deste modo, não estou propondo uma “caça às bruxas”, uma “inquisição sem fogueiras”, ou a re-impressão da “letra escarlate”, de modo algum, nenhum julgamento irresponsável ou desumano!

Estas linhas tampouco visam uma cruzada mundial contra o pecado (o que pode ser também bastante oportuno), mas, sim a limpeza da nossa própria vida, casa e igreja, numa sincera busca de olhar para si mesmo, corrigir-se, e só então chamar pelo outro alertando-o. 

Sei bem os riscos que corre aquele que acorda e vê o perigo, tendo que interromper os sonhos felizes dos incautos, que detestarão ter de despertar. Mas se não fizermos nada para eliminar as malditas raposinhas, isto é, os pequenos vícios de comportamento do povo de Deus, tenhamos certeza de que, cedo ou tarde, Deus o fará! E então o sofrimento do castigo divino sobre a igreja rebelde será muito maior do que aquele que pensamos evitar quando nos calamos!

Peço ao Senhor que esta mensagem, seja como uma trombeta ressoante, e que chegue a tempo aos ouvidos dormentes de muitos irmãos!

Com sinceros e ternos afetos de misericórdia em Cristo,

Pr. Sandro Márcio

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Amarás ao teu próximo, amarás até ao teu inimigo!

Esta é a palavra de Jesus aos seus discípulos. Todavia, nem sempre é isto o que temos feito!
Temos muita dificuldade de amar aqueles que se nos opõem de algum modo. É claro que eu não estou defendendo que abramos mão de nossas atuais convicções; pois só temos que fazê-lo quando formos convencidos biblicamente da opinião contrária. O que falo aqui é acerca da frieza e grosseria que tão comumente se estabelece nos relacionamentos inter-pessoais, mesmo dentro das igrejas.
Do nosso lado, como parte da membresia da igreja, temos o dever de obedecer a liderança eclesiástica, enquanto e naquilo que esses irmãos estiverem de acordo com a Bíblia Sagrada, nossa única regra de fé e prática, reconhecendo que cabe aos líderes a obrigação de pastorear, ordenar, corrigir e disciplinar os membros; mas mesmo quando tivermos dúvidas quanto à fidelidade destes irmãos, precisamos nos dirigir a eles com sinceridade, humildade e amor, pois de outro modo o conflito vai se estabelecer antes mesmo que possam ter oportunidade de ouvir nossos argumentos ou nós de ouvirmos os deles. Por outro lado, a liderança, por se tratar de homens mais maduros, experimentados e conscientes das próprias limitações, deve ter paciência e ouvidos atentos aos lamentos e críticas do rebanho. Carecemos todos de sabedoria, humildade e amor, e na falta deles a troca de ofensas e o afastamento da igreja se tornam opções tentadoras.
Por outro lado, temos também dificuldades de relacionamento com as demais denominações. É certo que se pensássemos uniformemente quanto à doutrina, estaríamos na mesma denominação, ou se fôssemos viver e cultuar juntos com tantas discordâncias acabaríamos nos perdendo em discussões sem fim, daí o benefício das tantas igrejas evangélicas espalhadas pelo Brasil afora, de modo a que o cristão possa escolher aquela que mais o convencer do agrado de Deus. Todavia, não nos enganemos: a Igreja de Jesus Cristo é a união de todos os verdadeiros adoradores, salvos pelo sangue do cordeiro, e não pode ser circunscrita a uma única denominação,  nem tampouco se resume à comunidade que expresse melhor entendimento doutrinário. Deus tem os seus escolhidos em toda a parte, homens, mulheres e crianças que confessam a Jesus Cristo como seu Único e Suficiente Salvador!
É preciso que calvinistas saibam amar e respeitar os arminianos e que arminianos tenham igual consideração para com seus irmãos calvinistas, que pentecostais e tradicionais saibam reconhecer a ação de Deus na igreja de um e do outro. E ainda que saibamos e devamos lutar contra os erros de um determinado grupo evangélico que sorrateiramente tentam invadir nossas igrejas, tenhamos cuidado de não supor que nada lá seja bom e que todos estejam conscientes ou em concordância com as heresias. Não sejamos apressados em duvidar da fé verdadeira que Deus colocou no coração dos nossos irmãos. Auxiliemos a liderança de nossa igreja para que a necessária disciplina eclesiástica seja mais eficaz e menos traumática, orando por aquele que ainda não se arrependeu e recebendo com amor o irmão arrependido. Deixemos para os anjos de Deus no Juízo Final, a tarefa de separar o joio do trigo! Não somos capazes de julgar quem seja ou não um eleito do Senhor!
Deste modo, convém que saibamos tratar de nossas diferenças, mas sem causar escândalos, sendo firmes contra os desvios e ainda assim ternos uns com os outros, deixando sempre a possibilidade do outro mudar ou não de opinião, na certeza de que mesmo se ele estiver errado está diante de um amigo de verdade, e caso percebamos que nós é que estávamos equivocados, não sejamos impedidos de reconhecer nosso erro pela enorme vergonha das grosserias que dissemos.  Não falo como alguém isento desse erro, e sim como aquele que sabe as conseqüências de por vezes tê-lo cometido!
Como disse, é importante que não nos deixemos levar por qualquer palavra ou doutrina! Entretanto, se não soubermos discordar com amor, não saberemos amar de modo algum! 

sábado, 23 de julho de 2011

Já Faz Um Ano!!!

Parece que foi ontem, mas já faz um ano que eu saí do hospital curado de um infarto agudo do miocárdio! O Pai do céu atendeu às orações dos irmãos e, apesar da admiração e dos olhares desconcertados dos médicos que me atenderam, lá estava eu, sem uma única cicatriz tanto no peito como no coração!
Chegando em casa, comentei com a minha esposa Elenice do meu desejo de escrever, e de, algum modo ajudar os irmãos em suas dúvidas acerca da Bíblia e da vida cristã, foi ela quem deu a idéia de criar os Blogs. O “responda pastor”, para as perguntas dos internautas e o “prsandromarcio” para postar mensagens avulsas.
Hoje, louvo a Deus por este trabalho e pelas pessoas que tem sido abençoadas por ele, com a certeza de que só pela graça chegamos até aqui, pois eu nem sequer estaria vivo para fazê-lo!
Alegrem-se comigo, pois quis Deus ser servido também deste modo!
Que Deus nos abençoe e que, conforme Sua vontade, mais pessoas possam fazer bom uso destes blogs!
Sou grato a todos os que oram, acompanham, que me apóiam e me suportam em minhas limitações!
Pr. Sandro Márcio de Almeida

terça-feira, 5 de julho de 2011

RESPONDA, AMIGO!

Aonde foram parar os amigos? Não digo os colegas e conhecidos, falo sobre amizade, a verdadeira amizade. Onde estão aqueles que dizem que vão orar por nós, e oram mesmo, falam que vão nos visitar, e visitam mesmo, afirmam que vão nos ligar e ligam mesmo?

Na igreja, quantas vezes voltamos nosso olhar para o último irmão que deixa o templo, ou reparamos naquele que sai apressado antes de todos?

O que sabemos sobre os demais irmãos da nossa comunidade evangélica? Os doentes são somente aqueles descritos no boletim? Sabemos se todos almoçam ou jantam fartamente em seus lares, ou acaso alguém tem falta de uma mistura, ou mesmo um simples prato para compartilhar com seus filhos? Nos informamos acerca dos que faltaram? Temos certeza de que todos os que vieram voltarão tranqüilos para suas casa, ou será que quando estivermos já ha bastante tempo em nossos lares, aquele irmão ainda estará esperando o ônibus no ponto próximo à igreja? Quando um irmão passa por problemas, sofremos como se fosse conosco, ou nos aliviamos por não ter nada a ver com isso? Quando nós mesmos somos grosseiros, arrependidos buscamos o perdão do próximo? Quando nossos filhos são rudes com outras pessoas, nós os repreendemos?

Este pequeno questionário nos dá uma idéia acerca de como vai a união dos irmãos em Cristo. Infelizmente, nesses tempos, todos estamos muito ocupados, sem tempo para cultivar boas amizades, e do mesmo modo como esquecemos, somos esquecidos, desprezamos, somos desprezados, nos afastamos dos irmãos e nos sentimos sozinhos.

Contudo, isto não precisa continuar assim! Para que as coisas sejam diferentes precisamos reconhecer nossa contribuição e com a graça de Cristo, demonstrar nossa fé e nosso amor aos irmãos com reais atitudes de amparo e auxílio.

Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.
Tiago 2. 14-17

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Morte da Amizade

Vivemos tempos difíceis, num momento em que tudo é questionado, e a nada mais se considera digno de crédito ou confiança. Foi a isto que levou a crescente falta de moral em nossa sociedade!

Hoje em dia, um homem ceder o lugar a uma jovem no ônibus, certamente será visto por muitos, e talvez também por ela, como inconveniente paquera; um adulto fazer carinho em uma criança já levanta olhares acusadores de pedofilia; um mero cumprimento, na tentativa de preencher o tempo na fila do banco, é tido como prenúncio de algum golpe; e por aí vai. É, infelizmente esse é o preço que pagamos por tanta maldade e falta de compromisso do mundo com o seu Criador, e quem ingenuamente tenta desconsiderar a perversidade humana, lamentavelmente, acaba aprendendo à duras penas.

E nesta avalanche de temor e desconfianças mais uma grande perda se avizinha, a morte da amizade!

Falo acerca da intensa propaganda pró-homossexualismo que tem varrido os meios de comunicação e invadido importantes avenidas mundiais.

A ousadia de alguns proponentes desta ideologia já ficou bem demonstrada a medida que fitando a história passada buscaram indícios ou “provas” de homossexualismo na vida de grandes vultos, como Napoleão Bonaparte, o cangaceiro Lampião e até mesmo Zumbi dos Palmares. Contudo, na ânsia de engrossar suas fileiras essa propaganda, eivada de preconceitos e malícia, não tem tido sequer respeito pela religião, chegando a fazer pesadas insinuações sobre a amizade de personagens bíblicos como Davi e Jônatas, Rute e Noemi e até mesmo Cristo e os apóstolos.

Lembremos o que o próprio Jesus falou acerca do plano de Deus sobre o casamento e o envolvimento sexual:

Mateus 19:

4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher

5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?

6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.



Mas, o que isto tem a ver com a “morte da amizade”?

Tem tudo a ver, pois a corrente homossexual que cada vez mais se agiganta tem conquistado muitos adeptos colhidos pela falsa noção de que a forte amizade entre duas pessoas do mesmo sexo é na verdade a expressão da homossexualidade reprimida, que deve de uma vez por todas “sair do armário”. É algo que acontece com tal facilidade, a ponto de involuntariamente nos vermos comentando tais suspeitas. E não percebemos que com isso, olhares maldosos são lançados sobre todo e qualquer relacionamento que indique uma dose maior de companheirismo, chegando até mesmo a convencer os envolvidos de sua pretensa homossexualidade, confundindo a juventude e ferindo mortalmente importantes laços de amizade.

Talvez pareça prematuro falar deste modo, pois muita amizade verdadeira ainda não foi corrompida por este engano, mas creio que por isto mesmo se deve tocar neste assunto, pois ainda dá tempo de tomar atitudes corretivas.

É preciso que se diga abertamente que ainda existe amor fraterno; que admirar alguém do mesmo sexo e desejar sua companhia nada tem a ver com o pecado do homossexualismo; que o homem aprende a ser homem no convívio com outros homens e a mulher na convivência com outras mulheres. É nestes relacionamentos que desenvolvemos nossa personalidade, é nestes laços que formamos nossa própria identidade; é no contato com o outro que crescemos e nos fortalecemos. Não deixemos que corrompam as amizades que são importantes instrumentos de Deus para o nosso bem!

É urgente que resgatemos o valor da pura amizade, como já dizia o sábio Salomão:

Provérbios 15:30 O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos.

Provérbios 18:24 O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão.

Provérbios 27:9 Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial.

Provérbios 27:17 Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo.

E especialmente:
Provérbios 17:17 Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão.

sábado, 11 de junho de 2011

Diga-me com quem tu andas...

É inegável o valor da sabedoria popular, e muitas vezes constatamos que vale a pena prestar-lhe atenção. Mas, diferentemente do que dizem, a voz do povo NÃO é a voz de Deus! Mesmo que reconheçamos alguns acertos, é importante que apontemos as discrepâncias.

Pois bem, vamos ao ditado inicial: “Diga-me com quem tu andas e eu lhe direi quem és!”

Muitos há que dirão sem pestanejar que quem anda em má companhia, só pode ser mau. Mas, o que dizer de nosso Senhor, famoso por ser amigo de publicanos e pecadores?1
Como poderemos atender à Sua ordem de ir às ovelhas perdidas de Israel? É preciso que estejamos dispostos a deixar a nossa situação confortável de apenas convidar e aguardar que as pessoas entrem na igreja, e de fato nos envolvermos com aqueles que queremos evangelizar. Distribuir folhetos e pregar em praça pública tem surtido bons efeitos, contudo, permite que façamos o trabalho e voltemos para o nosso conforto, sem nos envolvermos de verdade com as pessoas.

Não se trata aqui, de modo algum, de praticarmos as obras pecaminosas, nem de mostrarmos qualquer concordância com o mal, e sim de nos colocarmos em condições de dialogar, ajudar e de forma geral, estarmos acessíveis às pessoas a nossa volta.

Entretanto alguém dirá: O Salmo 1º não proíbe andar na companhia dos maus? 2

Ele proíbe andar segundo o conselho, se deter em seu caminho (modo de vida) e participar de suas zombarias. Por acaso o Senhor Jesus desobedeceu o que preceitua o salmo?

Mas ainda assim alguém pode insistir: Mas, nós não devemos evitar a aparência do mal? Este versículo diversas vezes tem sido usado de forma imprópria; não devemos evitar o que apenas parece ser mal, lembremo-nos que o homem erra porque julga segundo as aparências 3 e a Bíblia não nos ensina a proceder assim, pelo contrário, o que o versículo citado nos manda é que evitemos o mal real, qual seja a forma em que ele apareça! 4

Mas e o que a Bíblia fala sobre não haver comunhão entre luz e trevas? 5 A Bíblia proíbe o casamento misto, por selar um íntimo compromisso de mútua dependência, dependência que pode levar à cumplicidade 6; por isso, precisamos tomar cuidado para que nossa dependência seja completamente firmada em Deus e na Sua Palavra, de sorte que sejamos uma boa influência para os nossos amigos, sem permitir que eles nos influenciem para o mal, porque se assim for, então convém nos afastar, salientando que Cristo recebe aqueles que se arrependem 7.

Sendo assim, termino citando outro ditado popular: “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, daí a necessidade constante de cuidado e sensatez, mas atenção que o excesso de cuidado não te impeça de olhar com amor e compaixão para aqueles que erram e necessitam do Evangelho do Perdão de Deus em Cristo. 8


NOTAS

1
Mateus 9:10 E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos.
Mateus 9:11 Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
Mateus 11:19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.
Marcos 2:15 Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.
Marcos 2:16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?
Lucas 5:30 Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?
Lucas 7:34 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!
Lucas 15:1 Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
2
Salmo 1.1 Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.

3
1 Samuel 16:7c O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.
João 7.24 Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.
Colossenses 2:23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.

4
Daí a correta tradução da Bíblia Sagrada Versão de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada: I Tessaloniceses 5.22 abstende-vos de toda forma de mal, em lugar da antiga Versão Revista e corrigida que dizia: Abstende-vos de toda aparência do mal.

5
2 Coríntios 6.14 Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?

6
Efésios 5:11 E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.

7
Lucas 5:32 Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.
I João 1.1,2 Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.

8
2 Coríntios 5:18,19 Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.